No
mundo dos negócios é comum ouvirmos falar de
empresas que buscam parcerias para desenvolverem junto a organizações
não governamentais atividades socialmente responsáveis.
Inclusive, a maioria das empresas acredita que isso seja um investimento
necessário, pois a empresa sabe que quem pactua com trabalhos
sociais aumenta sua produtividade e sua lucratividade, já que
seus funcionários se sentem mais motivados e seus consumidores
preferem produtos de empresas preocupadas com o bem estar da sociedade.
O
médico como profissional de saúde tem, no exercício
de sua profissão, a oportunidade de agir com responsabilidade
social, porém para que isso aconteça, ele precisa
estar preparado para este desafio. Muitas escolas médicas
têm investido nos processos de mudanças da graduação,
buscando formar “médicos generalistas”, adequando
assim o profissional que a escola forma ao profissional que o “mercado” precisa.
Mas que profissional é este tão desejado pelo “mercado”?
Para
responder esta pergunta não é preciso ir muito
longe. Basta perguntar a qualquer usuário do SUS o tipo
de médico que ele deseja: um profissional com conhecimentos
técnicos, habilidades profissionais e, acima de tudo, interesse
em ouvi-lo para ajudá-lo a resolver seus problemas. Em suma,
o usuário e o “mercado” querem um médico
humanista, que mesmo sendo especialista, entenda que o paciente
não é uma doença ou um órgão
e sim um ser humano inserido num espaço em determinado tempo,
capaz de influenciar e ser influenciado pelo meio em que vive.
As
escolas médicas deveriam ser capazes não só de
preparar o estudante de medicina com o embasamento teórico
suficiente para poder interferir quando necessário e em
benefício do paciente, mas também prepará-lo
para interagir de forma socialmente responsável, permitindo
que este profissional seja não só um técnico
em medicina, mas também um agente transformador de sua realidade
local.
As
escolas médicas precisam estar mais próximas
da realidade do SUS, principalmente da atenção primária,
que é a porta de entrada do usuário nos sistema,
aproximando os espaços de ensino do serviço prestado à população.
Nesse contato entre a instituição de ensino e serviços
de saúde todos saem ganhando, mas o principal beneficiado é o
usuário que consegue ter um atendimento de qualidade. O
usuário pode (e deve) colaborar na formação
dos profissionais de saúde, pois serão eles que,
num futuro próximo, serão os responsáveis
pela manutenção da saúde da população
daquela região. Também se faz necessário desenvolver
no estudante uma visão crítica da sociedade, que
o permita avaliar o contexto em que seu paciente está mergulhado
e trabalhar na resolução do problema apresentado,
prevenindo novas intercorrências.
Se
as empresas que têm o objetivo da obtenção
de lucro acreditam que, sendo socialmente responsáveis,
podem atingir seu objetivo mais facilmente, o médico que
tem o objetivo de proporcionar melhoria na qualidade de vida do
seu paciente, sendo socialmente responsável, estará não
só atingindo seu objetivo, mas também participando
do processo de transformação social, que realmente
eleva a saúde a um direito do cidadão e dever do
Estado.